A saúde do homem precisa ser acompanhada durante toda a vida, e não apenas quando surgem sintomas. Consultas periódicas, vacinação, alimentação equilibrada, atividade física e controle de doenças crônicas fazem parte de uma rotina de prevenção que pode reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.
No Brasil, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) orienta ações voltadas à promoção da saúde, à prevenção de doenças, ao acesso aos serviços e ao cuidado integral da população masculina. A Atenção Primária do SUS, realizada principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), é a principal porta de entrada para esse acompanhamento.
Por que a prevenção é importante?
Muitos problemas de saúde evoluem sem sinais claros no início. É o caso da hipertensão, do diabetes, de alterações do colesterol e de algumas doenças cardiovasculares. Sem acompanhamento, essas condições podem aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral, doença renal e outras complicações.
Dados apresentados pelo Ministério da Saúde indicam que os homens vivem, em média, menos que as mulheres e apresentam maior mortalidade em grande parte das causas de óbito e faixas etárias. Entre os fatores associados estão a procura tardia por atendimento, a exposição a acidentes e violências, o consumo prejudicial de álcool, o tabagismo e a menor frequência de consultas preventivas.
A prevenção não significa fazer todos os exames indiscriminadamente. O cuidado deve ser individualizado, considerando idade, histórico familiar, doenças já existentes, hábitos de vida, uso de medicamentos e outros fatores de risco.
O que pode ser feito na unidade de saúde?
A UBS pode avaliar a situação geral de saúde, acompanhar doenças já diagnosticadas, orientar mudanças de hábitos, atualizar a caderneta de vacinação e encaminhar o paciente para outros serviços quando necessário.
Durante a consulta, o profissional pode verificar a pressão arterial, o peso, a alimentação, o nível de atividade física, o consumo de álcool e tabaco, a qualidade do sono e a saúde mental. Também pode avaliar queixas urinárias, sexuais, respiratórias, digestivas ou relacionadas à dor.
Quando houver indicação clínica, podem ser solicitados exames laboratoriais e de imagem. A necessidade, a periodicidade e o tipo de exame dependem da avaliação profissional. Por isso, não é recomendado iniciar uma rotina de testes por conta própria ou repetir exames sem orientação.
Controle da pressão, do diabetes e do colesterol
A hipertensão costuma não causar sintomas no início. De acordo com o Ministério da Saúde, a única maneira de diagnosticar a pressão alta é medir a pressão regularmente. Pessoas com mais de 20 anos devem fazer essa verificação pelo menos uma vez por ano; quem tem histórico familiar pode precisar de uma frequência maior, conforme orientação profissional.
O controle também envolve alimentação com menor quantidade de sal, prática regular de atividade física, redução do consumo de álcool, abandono do cigarro e acompanhamento do peso. Pessoas que já têm hipertensão ou diabetes devem seguir o tratamento prescrito e não interromper medicamentos por conta própria.
O diabetes pode permanecer silencioso por um período prolongado. Sede excessiva, aumento da frequência urinária, perda de peso sem explicação, cansaço e visão embaçada são sinais que merecem avaliação, embora não estejam presentes em todos os casos. O acompanhamento permite reduzir o risco de complicações nos olhos, nos rins, nos nervos e no sistema cardiovascular.
Alimentação e atividade física
Uma alimentação saudável deve incluir variedade e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões e cereais. O consumo de alimentos ultraprocessados, excesso de sal, açúcar e gorduras deve ser reduzido.
A atividade física regular contribui para o controle do peso, da pressão arterial e da glicose, além de favorecer a saúde cardiovascular e o bem-estar emocional. Quem está sedentário pode começar com períodos curtos de movimento e aumentar gradualmente, respeitando suas condições de saúde.
Pessoas com doenças crônicas, limitações físicas ou longo período de inatividade devem buscar orientação antes de iniciar exercícios intensos. O objetivo é construir uma rotina possível e sustentável, e não adotar mudanças radicais por poucos dias.
Tabagismo e consumo de álcool
Não fumar é uma das principais medidas para prevenir câncer, doenças respiratórias e problemas cardiovasculares. A exposição à fumaça do cigarro também pode prejudicar familiares e outras pessoas no mesmo ambiente.
Quem deseja parar de fumar pode procurar uma unidade de saúde para receber orientação e conhecer as opções de tratamento disponíveis no SUS. A interrupção pode exigir mais de uma tentativa, e o acompanhamento profissional ajuda a lidar com a dependência e com os sintomas de abstinência.
O consumo excessivo de álcool está associado a acidentes, violência, doenças do fígado, problemas cardiovasculares e sofrimento mental. Também pode afetar relações familiares, desempenho no trabalho e capacidade de tomar decisões. Se houver dificuldade para reduzir ou interromper o consumo, é importante buscar atendimento de saúde.
Vacinação também faz parte da prevenção
Manter as vacinas em dia é um cuidado para todas as fases da vida. O Calendário Nacional de Vacinação inclui orientações para adultos e idosos, com vacinas definidas de acordo com a idade, o histórico vacinal, as condições de saúde e situações específicas.
A ausência da caderneta não impede a avaliação da situação vacinal. Segundo o Ministério da Saúde, é possível solicitar uma nova via e procurar regularmente a unidade de saúde. A vacinação de rotina está disponível durante todo o ano, conforme as regras e a oferta da rede pública.
Além de proteger a própria pessoa, a imunização contribui para reduzir a circulação de doenças. O calendário pode ser consultado na página oficial de vacinação do Ministério da Saúde.
Saúde sexual e prevenção de infecções
A saúde sexual inclui prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), planejamento reprodutivo, respeito ao consentimento e tratamento de dificuldades que afetem a vida sexual. O uso de preservativo continua sendo uma das principais formas de reduzir o risco de HIV, sífilis, hepatites virais e outras infecções.
Em caso de relação sexual sem preservativo, rompimento do preservativo ou suspeita de exposição ao HIV, a pessoa deve procurar rapidamente um serviço de saúde para receber orientação sobre a profilaxia pós-exposição, quando indicada. Testes e tratamentos para diversas ISTs estão disponíveis na rede pública, conforme os fluxos locais.
Feridas, verrugas, corrimentos, dor, coceira, ardência ao urinar ou alterações nos testículos e no pênis devem ser avaliados por um profissional. Não é seguro usar medicamentos ou pomadas por conta própria, porque sintomas semelhantes podem ter causas diferentes.
Câncer de próstata: quando investigar
O câncer de próstata pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando há sinais, podem ocorrer dificuldade para urinar, demora para iniciar ou concluir a micção, redução do jato, necessidade de urinar várias vezes, especialmente à noite, e sangue na urina. Esses sintomas também podem ocorrer em condições benignas, como o aumento da próstata e a prostatite.
O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata em homens sem sinais ou sintomas. Isso significa que não é indicado que todos façam exames de PSA ou toque retal de forma automática, sem avaliação individual. A decisão deve considerar possíveis benefícios e riscos, em conversa com um profissional de saúde.
Na presença de sintomas ou de fatores de risco, o médico pode indicar investigação. O PSA e o toque retal podem contribuir para a avaliação, mas nenhum deles confirma sozinho a existência de câncer. Quando necessário, o diagnóstico é confirmado por biópsia.
A idade, o histórico familiar e o excesso de peso podem influenciar o risco. Homens cujo pai, irmão ou avô tiveram câncer de próstata, especialmente antes dos 60 anos, devem informar essa condição durante a consulta.
Mais informações estão disponíveis na página do Ministério da Saúde sobre câncer de próstata.
Saúde mental também é saúde do homem
Tristeza persistente, irritabilidade intensa, ansiedade, isolamento, alterações importantes no sono ou no apetite, perda de interesse pelas atividades e uso de álcool ou outras drogas para enfrentar problemas são sinais que merecem atenção.
A ideia de que o homem precisa suportar tudo sozinho pode atrasar a busca por ajuda. Conversar com um profissional de saúde é uma forma de cuidado, não um sinal de fraqueza. A UBS pode fazer a primeira avaliação e orientar o encaminhamento para outros pontos da rede, quando necessário.
Em situações de sofrimento intenso, pensamentos de morte ou risco imediato, a pessoa deve procurar um serviço de urgência ou emergência e não permanecer sozinha. Familiares e amigos podem ajudar ao oferecer escuta, acolhimento e apoio para buscar atendimento.
Quando procurar atendimento sem esperar
Alguns sinais exigem avaliação rápida, como dor forte no peito, falta de ar intensa, desmaio, fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar, sangramento importante, dor testicular súbita, sangue na urina ou incapacidade de urinar.
Também é importante procurar atendimento quando houver perda de peso sem explicação, febre persistente, feridas que não cicatrizam, tosse prolongada, mudança contínua no hábito intestinal ou sintomas que pioram com o tempo.
Como começar a cuidar da saúde
O primeiro passo é procurar a unidade de saúde de referência e informar as principais queixas, doenças na família, medicamentos usados e hábitos de vida. Levar exames anteriores e a caderneta de vacinação pode facilitar a avaliação.
O cuidado preventivo deve ser contínuo. Em vez de esperar o aparecimento de um problema, o homem pode estabelecer uma rotina de acompanhamento, manter as vacinas atualizadas, praticar atividade física, evitar o tabaco, moderar o álcool e conversar abertamente sobre sintomas físicos e emocionais.
Prevenção não elimina todos os riscos, mas aumenta a possibilidade de identificar alterações no início e organizar o tratamento adequado. A saúde do homem deve ser vista como um cuidado permanente, acessível e integrado ao cotidiano.








