segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Tecnologia

O que empregadores esperam encontrar nos profissionais da economia digital até 2030

Estudo baseado na expectativa de empregadores ao redor do mundo mostra quais habilidades devem ganhar espaço, permanecer estáveis ou perder força no mercado de trabalho até 2030.
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As transformações tecnológicas e as mudanças nas demandas das empresas devem alterar a forma como profissionais são avaliados até 2030. Um estudo do Fórum Econômico Mundial, apresentado no relatório Core Skills in 2030, reúne as competências que tendem a ganhar importância, permanecer estáveis ou perder espaço na economia digital.

O levantamento foi elaborado a partir da expectativa de empregadores ao redor do mundo. Para organizar o cenário, o material distribui as habilidades em quatro grupos: Habilidades Emergentes, Habilidades Essenciais para 2030, Habilidades Estáveis e Habilidades Fora de Foco.

A divisão indica que o futuro do trabalho não será definido apenas pelo domínio de ferramentas digitais. O conjunto apontado pelo estudo também inclui capacidade de análise, criatividade, liderança, adaptação, inteligência emocional e disposição para aprender continuamente.

As competências que devem permanecer no centro do trabalho

Entre as habilidades consideradas essenciais para 2030 estão aquelas relacionadas ao uso da tecnologia, à solução de problemas e à capacidade de responder a mudanças. O relatório destaca que essas competências já são valorizadas e devem continuar avançando nos próximos anos.

Inteligência artificial e big data

A inteligência artificial e o big data aparecem entre os conhecimentos que devem ganhar espaço com a digitalização dos processos e o avanço da automação. A análise de grandes volumes de dados tende a fazer parte de um número maior de decisões dentro das organizações.

Segundo o material, profissionais que compreendem e utilizam ferramentas de inteligência artificial e análise de dados podem obter vantagem competitiva. O domínio dessas tecnologias não se restringe às áreas diretamente ligadas à tecnologia da informação, já que diferentes setores passam a depender de dados para orientar atividades e escolhas.

Pensamento analítico e criatividade

O pensamento analítico é apresentado como uma competência necessária para interpretar informações, resolver problemas complexos e apoiar decisões. A habilidade se relaciona à capacidade de examinar situações, identificar alternativas e construir respostas para desafios que não podem ser solucionados apenas por procedimentos automáticos.

A criatividade aparece associada a esse processo. Em um ambiente com mais tarefas automatizadas, a capacidade humana de desenvolver soluções novas pode ganhar importância em produtos, serviços e processos. O estudo considera que a inovação dependerá da combinação entre interpretação, raciocínio e criação.

Resiliência, flexibilidade e agilidade

As mudanças constantes do mercado devem exigir profissionais capazes de se adaptar a novas demandas. Por isso, resiliência, flexibilidade e agilidade aparecem entre as competências centrais para o trabalho até 2030.

O conjunto está ligado à resposta a desafios e à disposição para ajustar métodos e prioridades. O relatório também associa essa capacidade ao chamado mindset ágil, apresentado como um dos pilares das organizações em um cenário de transformação contínua.

Liderança e influência social

O estudo também destaca a liderança e a influência social. A expansão de equipes diversificadas e distribuídas globalmente deve aumentar a necessidade de profissionais capazes de motivar, orientar e mobilizar grupos.

Essa exigência inclui ambientes remotos e multiculturais. Nesse contexto, liderar não envolve apenas ocupar uma posição formal, mas também contribuir para a coordenação de equipes e para o alinhamento de objetivos em diferentes realidades de trabalho.

Alfabetização tecnológica

A alfabetização tecnológica é apontada como requisito básico para profissionais de diferentes áreas. Entender o funcionamento de tecnologias, softwares de automação e ferramentas de análise de dados tende a fazer parte da rotina de setores que não estão diretamente ligados à tecnologia da informação.

O relatório relaciona essa competência à capacidade de utilizar recursos digitais no cotidiano profissional. A familiaridade com essas ferramentas deve deixar de ser restrita a especialistas e se tornar parte da formação necessária para acompanhar a economia digital.

Motivação e autoconsciência

Motivação e autoconsciência completam o grupo de habilidades essenciais citado no material. As duas competências estão relacionadas à inteligência emocional e à capacidade de administrar as próprias emoções.

De acordo com o estudo, profissionais que conseguem se motivar e lidar com suas reações podem apresentar melhor desempenho e produtividade. A dimensão comportamental, nesse caso, aparece ao lado das competências técnicas como parte da preparação para as mudanças no trabalho.

Habilidades emergentes ganham espaço

Além das competências já consideradas essenciais, o levantamento identifica áreas que estão crescendo em importância. Elas podem se tornar diferenciais para profissionais que buscam acompanhar a transformação dos negócios e das relações com consumidores.

Cibersegurança e redes

A digitalização amplia a relevância da cibersegurança e das redes. À medida que empresas e processos dependem de sistemas conectados, a proteção das informações passa a ocupar um espaço maior nas decisões organizacionais.

O material aponta que a demanda por especialistas em segurança da informação deve continuar crescendo. A competência está relacionada à necessidade de proteger dados, sistemas e operações em um ambiente de negócios cada vez mais digital.

Gestão ambiental e sustentabilidade

A gestão ambiental e a sustentabilidade também aparecem entre as habilidades emergentes. O relatório relaciona esse movimento ao interesse crescente das empresas por práticas sustentáveis.

Essa competência pode se tornar relevante em diferentes indústrias, conforme a sustentabilidade passa a integrar processos e decisões corporativas. No mapa apresentado pelo estudo, a área é tratada como uma frente em expansão dentro das habilidades exigidas pelo mercado.

Design e experiência do usuário

O design e a experiência do usuário são apontados como fatores de diferenciação para marcas e produtos no ambiente digital. A forma como consumidores interagem com serviços e plataformas tende a influenciar sua percepção sobre as empresas.

O estudo destaca o design centrado no usuário como um campo que deve ganhar valor. A competência envolve considerar as necessidades de quem utiliza determinado produto ou serviço na criação de soluções digitais.

Curiosidade e aprendizado contínuo

A curiosidade e o aprendizado contínuo aparecem como respostas à velocidade das transformações. Em um cenário no qual ferramentas, processos e demandas podem mudar com rapidez, a formação profissional não termina com a conclusão de um curso ou a entrada no mercado.

O relatório aponta que profissionais dispostos a aprender ao longo da vida podem ter mais condições de acompanhar esse processo. A busca contínua por conhecimento é apresentada como uma habilidade capaz de sustentar a adaptação profissional em diferentes momentos da carreira.

Competências que deixam de ser diferenciais

O levantamento também identifica habilidades que podem perder relevância como diferenciais competitivos. Isso não significa que elas deixem de ter utilidade, mas que tendem a ocupar uma posição menos central no desenvolvimento profissional, segundo a expectativa dos empregadores.

Leitura, escrita e matemática básica

Leitura, escrita e matemática básica continuam sendo apresentadas como habilidades fundamentais. No entanto, o estudo indica que elas podem deixar de diferenciar profissionais, em razão do avanço de ferramentas automatizadas capazes de assumir parte dessas funções.

A mudança apontada está relacionada ao papel dessas competências no mercado. Embora permaneçam necessárias para atividades profissionais e para a compreensão de informações, elas não devem concentrar o foco principal da preparação para os próximos anos.

Destreza manual e precisão

A destreza manual e a precisão também aparecem entre as habilidades que tendem a perder espaço. O relatório associa essa tendência à automação de tarefas que exigem movimentos físicos detalhados, especialmente na manufatura e na indústria.

O avanço de sistemas automatizados modifica a importância relativa desse tipo de atividade. Com mais tarefas sendo executadas por máquinas, outras competências podem ganhar prioridade na formação e na rotina dos profissionais.

Atenção aos detalhes

A atenção aos detalhes e a precisão continuam relevantes em determinadas áreas, mas o material aponta que parte das tarefas baseadas nesse tipo de controle já está sendo assumida por sistemas automatizados e pela inteligência artificial.

Assim, a habilidade não desaparece, mas deixa de ser apresentada como o principal diferencial em um cenário no qual tecnologias podem realizar atividades que dependem de conferência e exatidão.

Como o mercado pode se preparar para 2030

A leitura do relatório indica que a preparação para o trabalho de 2030 passa por uma combinação de competências técnicas, cognitivas e comportamentais. Inteligência artificial, big data e alfabetização tecnológica aparecem ao lado de pensamento analítico, criatividade, liderança e inteligência emocional.

Para os profissionais, o desenvolvimento dessas habilidades envolve acompanhar a evolução das ferramentas digitais e ampliar a capacidade de adaptação. A aprendizagem contínua surge como elemento comum entre as competências emergentes e a necessidade de responder a mudanças frequentes.

Para as empresas, o estudo destaca a importância de fomentar a capacitação dos funcionários. Equipes preparadas para lidar com tecnologia, inovação e mudanças podem contribuir para que as organizações enfrentem os desafios da economia digital.

O cenário descrito pelo Fórum Econômico Mundial não elimina a importância das habilidades básicas, manuais ou relacionadas à precisão. O que muda é o peso relativo de cada competência diante da automação e da adoção de novas tecnologias.

Até 2030, a combinação entre conhecimento digital, capacidade de análise, criatividade, adaptação e liderança deve ocupar posição central na vida profissional. A mensagem apresentada no relatório é que a disposição para aprender e se reinventar será determinante para acompanhar o futuro do trabalho.

Sobre o autor

Tiago Paiva é publicitário. Estudou Liderança da Inovação no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Direção de Projetos Complexos em Cambridge.

Foi responsável pela Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e integrou o Conselho da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Também liderou o planejamento de projetos complexos, como o Ronda no Bairro e a Modernização do Transporte Público em Manaus.

Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou um orçamento de R$ 350 milhões, com transparência e prestação de contas rigorosa, além de coordenar inovações técnicas e administrativas.

Na função de coordenador-geral de Modernização da Suframa, atuou no desenvolvimento econômico por meio da gestão de incentivos fiscais no Polo Industrial de Manaus. Também liderou projetos estaduais no governo do Amazonas, com atuação relacionada ao desenvolvimento sustentável.

Suas áreas de experiência incluem gestão de projetos, transparência financeira, coordenação de equipes e inovação.

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